O presente artigo visa apresentar, num momento de intensa perturbação política mundial, uma visão sobre a revolução de conceitos, justificados com o fim do cinismo encapotado, com o regresso do império-colonial, capitaneado por Donald Trump, presidente dos EUA. Sem pudor, invade, ataca, rapta dirigentes de países, para se apossar das riquezas. Diz que vai ficar com o petróleo e, à luz do dia, não se coíbe de roubar mais de 300 milhões de dólares, em barras de ouro do Banco Central da Venezuela.
Por William Tonet
O direito internacional, não se aplica quando em causa estão países africanos e subdesenvolvidos. Nos embargos ou invasões militares determinadas por um país ocidental, as organizações mundiais, incluindo a ONU não se mostram motivadas a alterar ou condenar o quadro dantesco, pelo contrário, arranjam formas de condenar as vítimas, casos da Palestina, ante o genocídio de Israel, Cuba, com embargo ou Irão.
Tudo isso por o viés colonial não ter saído da geografia mental dos gestores das antigas potências: França, Reino Unido, Alemanha, Japão, Portugal, Estados Unidos, Espanha, Israel, que ainda invadem, roubam, embargam ou estabelecem acordos leoninos, com países, na lógica da “democracia dos minerais”, um conceito criado para denominar o furto das matérias primas a baixo custo e a proibição de desenvolvimento económico autónomo das antigas colónias africanas e países subdesenvolvidos.
As antigas potências não esquecem a sua matriz colonial, mesmo depois do pós independência dos países, antes sob a sua dependência. Elas apenas disfarçam relações cordatas, transformando os colonizados em povos irmãos, num pico de cinismo, pois a pseudo-afectividade, serve apenas para o ex-colonizador, continuar, por outros meios, a rapinar as riquezas do irmão colonizado.
Para consumar esse desiderato, apostam em líderes complexados e assimilados, que adoptam a cultura, língua, religião, hábitos e tradição do colonialista, em detrimento das tradições autóctones.
Líderes comprometidos com o atraso do desenvolvimento dos países africanos e subdesenvolvidos, como verdadeiro selo de garantia, para a sua manutenção no poder, com o apoio das potências coloniais, verdadeiras aves de rapina das riquezas.
Daí que, sempre que surja um grupo político organizado, nacionalista e patriótico a gritar pelo resgate da soberania económica, liberdade, eleições livres, justas e transparentes, não ser bem sucedido.
O Ocidente é, tem sido, cúmplice da subversão dos resultados eleitorais, para desgraça de Angola, dos angolanos e africanos. Eles traem, conscientemente, os sonhos de milhões, que os olham como paladinos das liberdades, acreditando na isenção da sua observação. Verdadeiro engano, eles não advogam uma “democracia cidadã”, nos nossos países, mas os seus interesses económicos em primeiro lugar.
Daí a mesma retórica espúria, todos anos: “houve irregularidades durante as eleições, mas não suficientes para alterar o resultado eleitoral”. É a defesa dos interesses económicos, para a renovação dos acordos da “democracia dos minerais”, que lhes permite continuar a levar as riquezas nacionais a baixo custo. Desde 1992 tem sido essa a espinha dorsal dos relatórios ocidentais, privilegiando a fraude das INDRAS e arredores. Margareth Anstee, inglesa, fez jurisprudência da batota, eternizou o seu nome na sede da CNE (Comissão Nacional Eleitoral).
O ocidente apoia quem lhes apara o jogo de domínio absoluto da economia dos ex-países colonizados. Não lhe interessa democratas e democracia cidadã.
E esse posicionamento é mais acirrado, quando uma força política nacional, ingenuamente, acreditando na isenção da comunidade internacional ocidental, apresenta-lhe um programa económico-social, para pôr fim a fome, pobreza, desemprego, através de um plano de governação que apela à criação de uma classe empresarial autóctone, a transformação das matérias-primas localmente, o controlo da soberania económica, o combate à corrupção e o fim da evasão das divisas, para as praças financeiras europeias. Aqui chegado, o ocidente deixa cair o véu… Com violência! Nega comprar matérias-primas, a preços de mercado, alegando a necessidade da manutenção de acordos mesmo com as cláusulas leoninas, prejudiciais aos angolanos e africanos. Na resistência de uns, engendram golpes de Estado, mudanças de regime, raptos ou assassinatos das lideranças. Patrice Lumumba, Nkwane Nkruman, Thomas Sankara, Mouhamar Khadaffi, são exemplos à mão de semear…
O ocidente não advoga, para Angola e África instituições fortes, democracia plena, justiça independente e desenvolvimento educacional, daí favorecer regime(s) monocrático(s), ditatoriais e corruptos, que lhe abrem comportas a continuidade do colonialismo, por outros meios.
Se antes vinham em caravelas, hoje desembarcam em jatos privados e aviões comerciais como investidores. Sendo o maior investimento a corrupção, que lhes garante o controlo absoluto da banca comercial, do comércio, indústrias, minas, petróleo, gás, terras aráveis e raras.
É o domínio total de um país, por força(s) estrangeira(s), numa clara continuidade da colonização, mas agora não com os antigos governadores ultramarinos europeus, vindos da Metrópole, mas com negros assimilados, feitos presidentes de República, dependentes das instituições de Bretton Woods, que sob a pala de economia de mercado, cometem verdadeiros crimes de mercado, com a “democracia dos minerais”, que não os obriga a potenciar o ensino, a saúde, o emprego, o empresariado autóctone angolano.
A justificativa não fundamentada, é a necessidade de expandir a civilização e religião ocidental, esmerando-se na imposição de sistemas jurídicos, para legitimar acções e regimes anacrónicos.
O ocidente criou capachos, em África, para atrasarem o seu desenvolvimento, lhes serem fiéis, com a entrega das riquezas e a promessa, pese a incompetência e corrupção de os manter no poder. Alguém, com higiene intelectual e sã consciência acredita que se não fossem assalariados ocidentais, Paul Biya, Youery Musseveni, Sassou Nguesso, Obiang Nguema Mbasogo (a caírem pelas varetas), ganhariam eleições livres e justas?
É mais uma prova, que o direito internacional protege e defende os interesses de Estados que têm força e poder. Daí que, na revolução de conceitos, as ex-potências coloniais emergem, subtilmente, com palavras chaves, como ferramentas de diplomacia externa: “povos irmãos” (colonizador-colonizado); direito de preferência, economia de mercado, investidores, liberdade, voto, democracia, eleições, mas tudo isso na visão dos ex-países colonialistas, para iludir os povos, uma vez não se aplicar na prática. As Constituições e leis são elaboradas no estrangeiro, com leis protectoras para proteger e cobrir a má governação e corrupção de líderes assimilados, comprometidos com luxúrias, mordomias e corrupção e, no capítulo geral, com normas repressivas para aumentar as injustiças, discriminação, assassinatos de adversários políticos e populares patrióticos…
Ciente deste quadro de autêntica roubalheira e com a “democracia dos minerais” no auge é hora de agir. A hora de dar uma basta a colonização da soberania económica é esta.
Se nada for feito, nada aponta que em 2027, seja diferente. É necessário que cada cidadão apele a resiliência, para inverter o quadro dantesco que está a ser urdido pela fraudulenta CNE, INDRA e companhia Lda…


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